
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, revelou que o glutamato atua como uma chave, provocando um movimento semelhante a uma concha no receptor AMPA, o que abre o canal para permitir a passagem de íons carregados.

O que é o glutamato, que dificulta o pensamento e a aprendizagem – Foto: Canva/ND
Para quem não sabe, o glutamato é o fenômeno que permite ao cérebro se adaptar e formar novas conexões, como demonstrado por estudos anteriores publicados na revista Nature Neuroscience.
Segundo a neurocientista Carla Shatz, da Universidade Stanford, “as sinapses que disparam juntas, permanecem juntas”, destacando a relevância do glutamato na aprendizagem e no desenvolvimento cognitivo.
Na pesquisa, os estudiosos utilizaram uma microscopia crioeletrônica para capturar imagens em nível atômico de como o neurotransmissor glutamato ativa canais nas células cerebrais. Esses canais, conhecidos como receptores AMPA, são essenciais para a comunicação entre neurônios.
O avanço tecnológico sobre o glutamato

Para capturar o funcionamento dos receptores AMPA, os cientistas recorreram à microscopia crioeletrônica – Foto: Canva/ND
Para capturar o funcionamento dos receptores AMPA, os cientistas recorreram à microscopia crioeletrônica, técnica premiada com o Nobel de Química em 2017.
A pesquisa, publicada na revista Nature e financiada pelo NIH (National Institutes of Health), abre caminhos para o desenvolvimento de novos medicamentos que possam modular os canais AMPA.
Isso pode beneficiar pacientes com epilepsia, distúrbios cognitivos e doenças neurodegenerativas, como Alzheimer. Estudos prévios indicam que fármacos como o perampanel, usado no tratamento da epilepsia, bloqueiam parcialmente esses canais para reduzir a hiperatividade neuronal.
Edward Twomey, professor da Johns Hopkins e líder do estudo, destacou: “Cada nova descoberta nos aproxima da compreensão completa dos blocos fundamentais que permitem o funcionamento do cérebro humano”.

A pesquisa com o glutamato pode beneficiar pacientes com epilepsia, distúrbios cognitivos e doenças neurodegenerativas, como Alzheimer – Foto: Canva/ND