Pardos e pretos são maioria da população no Alto Tietê, mas representam só 32,8% das pessoas com ensino superior completo


De acordo com o Censo 2022, a maior parte de concluintes de ensino superior na região são de brancos. Rui Mendes, professor de Ciência Humanas na rede estadual de ensino em Mogi das Cruzes, afirma que a exclusão que o negro passou na sociedade brasileira ao longo da história ajuda a explicar a desigualdade racial no ensino superior. Candidatos fazem prova da Fuvest em sala da Faculdade de Educação da USP
Mateus Mondini/G1
Pardos e pretos representam apenas 32,8% das pessoas com 18 anos ou mais com ensino superior completo no Alto Tietê, segundo dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em toda a região, somente 15,3% da população com maioridade é graduado.
Apesar de serem a maioria da população na região, os números mostram que há desigualdade em relação ao acesso e conclusão para negros no ensino superior na região.
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De acordo com o IBGE, a região conta com 188.166 pessoas que concluíram algum curso tecnológico ou de graduação, sendo que a maior parte são de brancos — 62% deste total, o equivalente a 116.653 pessoas. Pretos são 8,4% dos graduados, pardos representam 9,5% e amarelos são 37,6%, enquanto os indígenas são apenas 0,1% (235).
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O levantamento ainda indica que Mogi das Cruzes é a cidade com o maior percentual de negros com mais de 18 anos com ensino superior completo: 16,5% dos pretos e 12,4% dos pardos possuem graduação. Em contrapartida, Biritiba Mirim possui as menores taxas de conclusão para esta população, com menos de 5% de pardos e de pretos formados.
Desigualdade racial na educação
Rui Mendes, professor de Ciência Humanas na rede estadual de ensino em Mogi das Cruzes, se beneficiou de políticas públicas de inclusão social e racial para concluir a graduação. Ele afirma que a exclusão que o negro passou na sociedade brasileira ao longo da história ajuda a explicar a desigualdade racial no ensino superior na região.
“Infelizmente, a baixa escolarização e a falta de investimentos públicos limitou a população negra de ter acesso ao ensino seja em camadas superiores de ensino e tão quanto ciclos fundamentais”, explica.
Como resposta a demandas de movimentos sociais para uma maior inclusão da população negra no acesso à graduação, em 2012 foi sancionada a lei 12.711, que passou a reservar 50% das vagas em universidades federais e institutos federais de educação, ciência e tecnologia a alunos que se autodeclaram pardos ou negros.
Rui Mendes, professor de Ciências Humanas, conseguiu acessar a universidade graças a programas de inclusão social no ensino superior
Reprodução/Arquivo pessoal
Para Mendes, a questão da cota racial dialoga não apenas com o acesso à universidade, mas também com uma reparação histórica pela desigualdade contra a população negra ao longo do tempo.
“Na primeira república, o negro foi excluído e marginalizado, aonde deixou feridas sociais. Conforme a sociedade evoluiu, esses abismos ficaram mais evidentes. Infelizmente, os negros hoje apresentam a menor escolaridade e isso faz com que muitos não consigam acessar o ensino básico, muito menos o ensino superior. O acesso de cotas vem sobre o contexto de auxiliar o seu acesso e dar fundamentos necessários para que ele possa se formar e remodelar a sua situação social e coletiva. Nesse século, o processo de cotas auxiliou o negro e aumentou o número dessa população no ensino superior”.
Além de garantir qualificação profissional, o professor de Ciências Humanas afirma que aumentar a participação negra no ensino superior é uma maneira de combater os abismos sociais históricos no Brasil.
“O negro no ensino superior aumenta a chances de eliminar as desigualdades e qualificar o grupo que foi excluído no aspecto social e educacional para o mercado de trabalho”, finaliza Mendes.
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