
Levantamento inédito do Serviço Geológico Brasileiro, do IBGE e da Prefeitura do Rio mostrou que uma em cada cinco casas da cidade está em áreas de risco de desastres causados pela chuva. Estudo estima que 600 mil famílias vivem em regiões sujeitas a deslizamento ou inundação no Rio
Um estudo inédito do Serviço Geológico Brasileiro, do IBGE e da Prefeitura do Rio revelou que cerca de 600 mil famílias do Rio de Janeiro vivem em regiões sujeitas a deslizamento ou inundações. Os dados mostram que uma a cada cinco casas da cidade está em áreas de risco de desastres causados pela chuva.
Os técnicos mapearam indicadores que revelam riscos de alagamentos, deslizamentos, e a situação socioeconômica dos moradores em todas as regiões da cidade.
Segundo o levantamento, 142 mil domicílios estão em situação de alta vulnerabilidade com risco elevado de inundação e deslizamento. São 131 mil casas com risco de inundação e 9.796 com risco de deslizamento.
Zona Norte em risco
De acordo com o estudo do Ambiental Media com o Instituto de Computação da UFF, os bairros mais suscetíveis a esse tipo de problema estão localizados na Zona Norte, ao longo das estradas de ferro da Leopoldina e da Central do Brasil. São 293 mil casas em alta ou muito alta vulnerabilidade nessa região.
Imagens aéreas após chuva na Zona Norte do Rio de Janeiro
Reprodução/TV Globo
Já na região que engloba bairros como Santa Cruz, Campo Grande e Guaratiba, todos na Zona Oeste, são mais de 170 mil residências em áreas de risco.
Na outra parte da Zona Oeste, onde estão Barra da Tijuca, Recreio e Jacarepaguá, o número chega a 50 mil. Outros 46 mil imóveis estão suscetíveis a alagamentos e deslizamentos na região central da cidade. Já na Zona Sul e Grande Tijuca, são quase 40 mil famílias vivem em área de risco.
“Quando fizemos o estudo, nós não voltamos nosso olhar para nenhuma região específica. Queríamos ter uma visão geral de como toda a cidade está. Infelizmente, nós temos que a maioria desses domicílios em alto risco estão nas regiões mais carentes”, comentou Mariza Ferro, professora do Instituto de Computação da UFF.
“Na zona central, por exemplo, tem também vulnerabilidade a enchente. Mas em números de domicílios, a maior região mesmo está nas zonas mais vulneráveis socioeconomicamente dizendo”, completou.
Rocinha com mais casas em risco
A favela da Rocinha, na Zona Sul, é o lugar da cidade com o maior número de domicílios com risco elevado de desastre por deslizamentos, segundo o estudo.
Deslizamento de terra na Rocinha
Reprodução/TV Globo
São mais de dez mil casas nessa situação na comunidade. Por coincidência, os medidores de chuva da Rocinha também vêm registrando nos últimos anos algumas das tempestades mais violentas da cidade.
Segundo dados do Alerta Rio, a Rocinha teve a segunda maior média de chuva na cidade do Rio em 2024
“Todo dia que chove na Rocinha a gente já fica preocupada. A gente tem um abrigo aqui atras de tem um muro e por isso a gente corre pra lá. Aqui no Laborioux, teve casa que já foi destruída pela chuva, outros já saíram correndo e outros já morreram por causa do muro que caiu”, contou Maria Aparecida Rodrigues, moradora da Rocinha.
“A gente tem medo mesmo enquanto ta tudo bem. Não choveu ainda, mas quando começar a chover a gente já fica preocupada”, reforçou.
Faltam sirenes de alerta
O estudo também apontou onde estão as sirenes de alerta para chuvas na cidade. Os pesquisadores concluíram que muitas áreas vulneráveis não contam com o sistema de alerta da prefeitura.
Segundo a professora Mariza Ferro, a maioria das sirenes está nas zonas Norte e Sul.
“Na Zona Oeste praticamente não há sirenes e há vários locais em alto risco de deslizamento, onde não há sistemas de alerta precoce. (…) de 168 que foram instaladas em 2010, após uma grande chuva, hoje ainda funcionam 164. E não foram instaladas nenhuma outra”, comentou Ferro.
O que diz a prefeitura
Em nota, a Prefeitura do Rio informou que, desde 2021, investiu mais de R$ 3 bilhões de em iniciativas de prevenção contra problemas causados pela chuva, como obras de drenagem e estabilização de encostas.
Sobre a falta de sirenes na Zona Oeste da cidade, a prefeitura disse que todos os equipamentos foram instalados conforme o mapeamento da fundação Geo-Rio, que aponta as áreas da Zona Norte, Zona Sul e Grande Tijuca, como as de maior risco geológico.
A prefeitura informou ainda que as comunidades da Zona Oeste têm características geológicas distintas e que, por isso, vem realizando obras de drenagem na região que já ultrapassaram o valor de R$ 1 bilhão.